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Arquivística · Princípios e Conceitos

O erro que a banca mais explora em Arquivística: trocar proveniência por ordem original dentro da mesma frase.

Tópico do edital: Arquivística — princípios e conceitos

Aula 1 de 3 de Noções de Arquivologia · áudio de 12:15 · narração Prof. Brito · leitura de 10 min

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Arquivística · Princípios e Conceitos

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O que cai na prova, direto ao ponto

  1. 01

    Documento de arquivo decorre das atividades do produtor, independentemente da natureza do suporte: papel, e-mail, foto ou arquivo digital.

  2. 02

    Organicidade é o vínculo natural entre documentos gerados pelas mesmas atividades; sem esse vínculo o documento vira papel solto, sem contexto.

  3. 03

    Proveniência impede misturar fundos de produtores diferentes; respeito à ordem original preserva o arranjo interno dado pelo produtor. São princípios distintos.

  4. 04

    Três idades: corrente, intermediária e permanente. A passagem não depende somente do tempo, mas do uso e dos valores documentais (primário e secundário).

  5. 05

    Gestão documental vai da produção até arquivamento e destinação; o ciclo vital termina em guarda permanente ou eliminação. Documentos permanentes são inalienáveis e

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  • Item 01

    O documento de arquivo caracteriza-se por decorrer das atividades do produtor, independentemente da natureza do suporte em que a informação foi registrada.

    toque em C ou E

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    Gabarito: Certo

    O que define o documento de arquivo é a atividade que o gerou, e não o material (papel, digital, fotografia) em que ficou registrado.

    "Documento de arquivo decorre das atividades do produtor, independentemente da natureza do suporte."

  • Item 02

    O princípio do respeito à ordem original é o que impede a mistura de fundos de produtores diferentes, cabendo ao princípio da proveniência preservar o arranjo interno conferido pelo produtor aos seus documentos.

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    Gabarito: Errado

    Os conceitos estão invertidos: a proveniência impede misturar fundos de produtores distintos; a ordem original preserva o arranjo interno dado pelo produtor.

    "Respeito à ordem original preserva o arranjo do produtor e não se confunde com proveniência."

  • Item 03

    O arquivo corrente somente admite documentos que ainda estejam em tramitação, de modo que, encerrado o trâmite, o documento obrigatoriamente passa à idade intermediária.

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    Gabarito: Errado

    O documento pode permanecer em arquivo corrente mesmo sem tramitação, bastando que continue sendo frequentemente consultado pelo produtor.

    "Arquivo corrente pode conter documento já sem tramitação, desde que ainda seja frequentemente consultado pelo produtor."

  • Item 04

    A gestão documental abrange desde a produção do documento até seu arquivamento e destinação, e o ciclo vital se encerra com a guarda permanente ou com a eliminação, conforme avaliação e destinação.

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    Gabarito: Certo

    São apenas duas saídas possíveis ao final do ciclo vital: guarda permanente ou eliminação, definidas pela avaliação e destinação.

    "O ciclo vital termina em guarda permanente ou eliminação, conforme avaliação e destinação."

  • Item 05

    Na avaliação documental, o valor a ser analisado é o do documento avulso, isoladamente considerado, e não o do conjunto documental a que ele pertence.

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    Gabarito: Errado

    A avaliação analisa o valor do conjunto documental, e não o documento avulso e isolado: a série organicamente ligada é que revela o valor.

    "é a avaliação documental. Analisa o valor daquele conjunto, não o documento avulso, isolado."

Transcrição completa desta aula (leitura opcional)

A caixa despenca da estante, os papéis voam pro chão e alguém já solta animado: "bora reorganizar tudo por cor, fica um arquivo lindo". Fica bonito. Só que se ninguém perguntar de onde veio cada papel antes de mexer, você não tá organizando.

Tá destruindo o arquivo e nem percebe. Destruindo? Tá tudo ali, só mais bonito.

Ééé, essa é exatamente a distinção que costuma virar item errado na prova. O documento continua documento. O que se perde, sem ninguém notar, é o vínculo dele com quem o produziu.

Peraí, vínculo com o quê? Com quem produziu e por que produziu aquilo. Pensa numa mesa de evidências de uma ocorrência.

Chegam objetos, boletins, laudos, tudo junto. Antes de tocar em qualquer papel, a primeira pergunta é de qual ocorrência ele veio e quem gerou aquilo. Só depois alguém pensa em arrumar.

Uhum. Então documento de arquivo não é sobre o papel em si. Documento de arquivo decorre das atividades do produtor, independentemente da natureza do suporte.

Suporte sendo papel, e-mail, foto, o que for. Isso. Pode ser papel, pode ser um arquivo digital, pode ser até uma fotografia de perícia.

O que importa é a atividade que gerou aquilo, não o material em que ela ficou registrada. Então se eu escaneio tudo e jogo o físico fora, ainda é arquivo? Continua sendo, se o vínculo com o produtor for mantido junto com o arquivo digital.

O suporte muda, a origem, não. Deixa eu bancar a advogada do diabo aqui. Pra que eu preciso saber isso?

Na rotina eu não vou catalogar arquivo de ninguém. Precisa, porque o boletim que você lavra hoje, pode virar prova num processo anos depois. Se o vínculo dele com a ocorrência se perder no meio do caminho, o documento perde força, vira papel solto, sem contexto, difícil de validar em juízo.

Tipo um documento órfão. Existe, mas ninguém consegue provar de onde ele saiu, nem por que foi produzido. Isso.

E documento órfão é exatamente o que sobra quando alguém organiza por cor, sem perguntar antes quem produziu cada coisa. Ah, então não é decoreba de arquivista, é sobre o documento continuar servindo de prova depois. Exatamente isso.

E é o motivo pelo qual a banca insiste tanto nesse ponto. E tem outra coisa que confunde todo mundo. Eu falo arquivo pensando numa sala com estante empoeirada.

E essa sala é só um dos sentidos da palavra. Arquivo não é sinônimo obrigatório de prédio ou móvel. O termo também designa o conjunto documental e a instituição que produz e guarda.

Então arquivo pode ser o lugar físico, pode ser um monte de papel guardado e pode ser até o órgão inteiro que cuida disso. Os três sentidos existem ao mesmo tempo e a banca adora trocar um pelo outro no meio de uma única frase pra te fazer marcar errado sem perceber. Voltando pra mesa de evidências, esse vínculo que você descreveu entre os papéis, ele tem nome próprio?

Tem. Organicidade. Organicidade é o vínculo natural entre documentos gerados pelas mesmas atividades.

Ou seja, os papéis da minha mesa não são um monte solto. Eles se relacionam entre si porque nasceram do mesmo trabalho, da mesma rotina. Exato.

Beleza. E se duas ocorrências diferentes tiverem um processo parecido, tipo dois acidentes na mesma BR, dá pra juntar as pastas numa gaveta só pra economizar espaço? Não.

Como assim não? É só espaço, o conteúdo é parecido. Porque aí você esbarra no princípio da proveniência.

O princípio da proveniência impede misturar fundos de produtores diferentes. Fundo sendo...? O conjunto de documentos de um mesmo produtor.

Cada mesa de evidências é de uma ocorrência só, de um produtor só. Misturar duas ocorrências na mesma mesa é perder a proveniência das duas ao mesmo tempo, mesmo que o assunto pareça igual. Então a pergunta que decide tudo sempre é a mesma: quem produziu?

Quem produziu? Quem produziu? Quem produziu?

Separa por aí primeiro e o resto se organiza sozinho depois. Show, separei tudo por produtor certinho. Agora dentro da pasta de um produtor só, posso arrumar do jeito que eu achar mais lógico pra mim?

Não, aí é outro princípio e é onde a maioria escorrega. Respeito à ordem original preserva o arranjo do produtor e não se confunde com proveniência. Ah, então proveniência separa de quem é, ordem original preserva como esse alguém organizava o próprio trabalho na sequência que fazia sentido pra ele.

Isso. E é exatamente aí que a banca troca um nome pelo outro dentro da mesma frase pra te derrubar. Parece a mesma ideia, mas são duas coisas separadas.

Se eu tô no ônibus agora, cansada, é fácil misturar os dois de propósito na cabeça. É por isso que vale fixar num exemplo só. Proveniência decide de quem é a caixa, ordem original decide como os papéis estavam dentro dela quando o produtor mexia neles.

E se um estagiário chega e resolve arrumar tudo em ordem alfabética, porque acha mais fácil de achar depois? Aí ele apagou a lógica original do produtor pra colocar a lógica dele por cima. Pode até ficar mais fácil de procurar num primeiro momento, mas o arranjo que contava a história de como aquele trabalho foi feito, já era.

Então respeitar a ordem original não é frescura de arquivista chato, é preservar informação de verdade. É preservar como o processo aconteceu de fato, na sequência real. Isso também é prova, só que uma prova mais sutil, que se perde sem barulho Falando em organizar do jeito que o produtor organizava, isso vale só pro arquivo morto, lá no fundo do prédio, empilhado?

Não existe só arquivo morto. Gestão documental começa na produção e segue até arquivamento e destinação. Desde o documento nascer, então.

Desde nascer, passando pelo uso do dia a dia, até decidir o destino final dele. E qual é esse destino final possível? O ciclo vital termina em guarda permanente ou eliminação, conforme avaliação e destinação.

Só duas saídas possíveis no fim da linha: ou fica guardado pra sempre ou some de vez. Só duas. E entre a produção e esse fim, o documento passa pelas três idades.

Desafia aí quem tá ouvindo agora, dirigindo ou fazendo outra coisa. Quais são as três idades? Chuta antes da gente falar.

As três idades são: corrente, intermediária e permanente. Corrente sendo o que ainda tá em uso direto pelo setor que produziu. E é aí que mora outra pegadinha clássica, uma das que mais derruba concurseiro.

Qual? Arquivo corrente pode conter documento já sem tramitação, desde que ainda seja frequentemente consultado pelo produtor. Então não é só documento ativo, andando de mesa em mesa dentro de um processo.

Pode estar parado, sem tramitar mais, e continuar corrente se o setor ainda usa ele direto no dia a dia. Isso. A passagem de idade não depende somente do tempo decorrido, mas do uso e dos valores documentais.

Valor primário e valor secundário entram nessa conta, então. Entram. Valor primário é o uso administrativo, pro próprio produtor resolver as coisas dele.

Valor secundário é o valor histórico, de prova ou de pesquisa, que aparece depois que o uso direto já acabou. Aham. Dá pra pensar num exemplo bem prático, tipo um auto de infração?

Pensa nele assim: recém-lavrado, ele é corrente. O setor consulta toda hora pra tocar o processo. Passado o prazo de recurso, ele esfria, vira intermediário.

Guardado, mas ainda pode ser chamado num litígio. Se ninguém mais precisar, elimina. Se tiver valor histórico ou de prova duradoura, sobe pra permanente.

E quem decide isso? Alguém simplesmente olha o documento e diz: "Esse aqui eu jogo fora, esse eu guardo pra sempre"? Existe critério, é a avaliação documental.

Analisa o valor daquele conjunto, não o documento avulso, isolado. Um boletim sozinho parece papel qualquer. A série inteira de boletins de um posto, ao longo dos anos, pode virar fonte de pesquisa sobre acidentes duma rodovia.

Ah, então o valor não tá no papel individual, tá no conjunto e no que ele revela junto. Exatamente. Documento sozinho conta pouco.

A série organicamente ligada conta a história inteira. E se o documento chega nessa idade permanente, o que muda pra ele na prática? Documentos públicos de valor permanente são inalienáveis e imprescritíveis.

Inalienável sendo que não pode vender, não pode se desfazer dele de jeito nenhum. E imprescritível é que o direito de reaver esse documento não se perde com o tempo, nunca prescreve. O Estado não abre mão disso em hipótese alguma.

Volta à mesa de evidências. Primeira peça: documento de arquivo nasce das atividades do produtor, independentemente do suporte. Certo.

Segunda peça: organicidade é o vínculo natural entre documentos gerados pelas mesmas atividades. Certo. Agora duas etiquetas na mesma caixa.

Proveniência separa os fundos por produtor. Ordem original preserva o arranjo interno. As duas corretas, cada uma no próprio lugar?

Ficam certas as duas. Erra quem decora o nome sem entender a função. Um princípio separa de quem é a documentação, o outro preserva como ela estava organizada por dentro.

O processo parou de tramitar, mas o setor consulta toda semana. Meu instinto chama de intermediário só porque ficou parado. Também certo.

O que importa pra idade corrente é o uso frequente pelo produtor, não se o processo já foi encerrado no papel. Última peça: documento público de valor permanente pode ser vendido ou perdido pelo simples passar do tempo? Certo, sem exceção.

Essa é regra dura, o Estado não abre mão. Parece muita etiqueta, mas todas respondem a três perguntas: quem produziu, como organizou e por quanto tempo ainda usa. É menos do que parece se você fixar numa sequência só.

Primeiro pergunta quem produziu. Isso te dá a proveniência e organicidade. Depois pergunta como esse produtor organizava.

Isso te dá ordem original. Só então você olha o tempo e o uso. Isso te dá as três idades.

Produtor, arranjo, uso. Sempre nessa ordem, sem pular etapa. Nessa ordem.

Inverte isso e a resposta certa vira a errada, mesmo com todo o resto igual. Voltando pra caixa que caiu no chão lá no começo, separar tudo por cor resolve alguma coisa? Resolve zero.

Antes de tocar em qualquer papel, pergunta quem produziu e qual era a ordem de trabalho lá dentro. O resto se organiza sozinho depois disso. Fecha a caixa em três peças.

Primeiro: o documento decorre das atividades do produtor, independentemente do suporte. Segundo: organicidade é o vínculo natural entre documentos gerados pelas mesmas atividades. Terceiro: o princípio da proveniência impede misturar fundos de produtores diferentes.

Proveniência separa fundos por produtor. Ordem original preserva o arranjo interno. Trocar um princípio pelo outro é o erro clássico da prova.

Quem produziu? Sempre essa pergunta primeiro, antes de qualquer caixa, qualquer pasta, qualquer estante, e antes de qualquer cor bonita que alguém queira colar em cima do papel

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