🎧 Aulas do edital · Direito Penal

Princípios Básicos

Um condenado com sentença já transitada em julgado vê uma lei nova apagar seu crime do mapa - ele continua preso ou sai?

Seu alvo nesta aula: Princípios básicos

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Princípios penais: as travas da punição

Mapa visual de Princípios Básicos: Ninguém pode ser punido por fato que a lei não definia como crime antes de acontecer, nem receber pena não prevista antecipadamente. É a legalidade ou reserva legal.

Infográfico sobre Princípios Básicos, com foco em legalidade, taxatividade, lei no tempo.

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Estrada entre montanhas ao anoitecer
QUESTÃO DA PROVA PRF 2021 · CTB
LEGISLAÇÃO DE TRÂNSITO

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JULGUE A AFIRMAÇÃOPRF 2021 · CTB

Para que autoridade ou agente policial possa autorizar a remoção de veículos envolvidos em acidente de trânsito [...] é necessário que antes tenha sido prestado socorro às vítimas e realizada a perícia no local.

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5 regras que podem virar pegadinha

  1. 01

    Legalidade é o princípio maior; taxatividade é a exigência de que o tipo penal descreva a conduta de forma clara

  2. 02

    A lei penal mais benéfica retroage sempre, mesmo depois do trânsito em julgado da condenação

  3. 03

    Subsidiariedade trata de quando o penal age, fragmentariedade trata do que ele protege

  4. 04

    O princípio da insignificância não está escrito expressamente em lei, é construção da jurisprudência

  5. 05

    É vedada a pena de morte, salvo em guerra declarada, e essa exceção é de status constitucional

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Agora é sem consulta · 5 itens C/E

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  • Item 01

    O princípio da legalidade permite a criação de crimes por meio de medida provisória, desde que urgente e relevante.

    Ver gabarito e comentário

    Gabarito: Errado

    Somente lei em sentido estrito, formal, pode criar crime ou cominar pena; medida provisória é vedada em matéria penal incriminadora.

    "Só lei e sentido estrito, formal, pode criar crime ou cominar pena. Medida provisória é vedada em matéria penal incriminadora."

  • Item 02

    Lei penal que abolir um crime não se aplica a fatos já julgados com trânsito em julgado, em respeito à coisa julgada.

    Ver gabarito e comentário

    Gabarito: Errado

    A lei penal mais benéfica retroage mesmo após o trânsito em julgado, cessando os efeitos penais da condenação.

    "lei penal que abolir um crime não se aplica a fatos já julgados com trânsito em julgado, em respeito à coisa julgada. Errado, e essa é a mesma armadilha do nosso desafio lá do início. A lei penal mais benéfica retroage mesmo após o trânsito em julgado, cessando os efeitos penais da condenação"

  • Item 03

    O ordenamento brasileiro admite pena de morte em qualquer hipótese, desde que prevista em lei ordinária.

    Ver gabarito e comentário

    Gabarito: Errado

    A pena de morte só é admitida em caso de guerra declarada, exceção de status constitucional que não pode ser ampliada por lei ordinária.

    "o ordenamento brasileiro admite pena de morte em qualquer hipótese, desde que prevista em lei ordinária. Errado. Só em guerra declarada, e essa exceção tem status constitucional. Lei ordinária não amplia isso"

  • Item 04

    A responsabilidade penal objetiva, que prescinde de dolo ou culpa do agente, é vedada pelo princípio da culpabilidade.

    Ver gabarito e comentário

    Gabarito: Certo

    Sem dolo ou culpa haveria punição apenas pelo resultado, sem nexo psicológico com a conduta, o que caracteriza responsabilidade penal objetiva, vedada pela culpabilidade.

    "sem dolo ou culpa a gente estaria punindo só pelo resultado, sem nenhum nexo psicológico com a conduta. Isso é responsabilidade penal objetiva, e ela é vedada"

  • Item 05

    Pela intervenção mínima, o Direito Penal só deve atuar quando os demais ramos do direito não forem capazes de resolver o conflito.

    Ver gabarito e comentário

    Gabarito: Certo

    É a face da subsidiariedade dentro da intervenção mínima: o penal age apenas quando os outros ramos falharem, sendo a última ratio.

    "Subsidiariedade é sobre o quando. O penal age só se os outros ramos falharem. É a última ratio ou o último recurso."

Prefere ler? Abra a transcrição completa

Cinco segundos. Presta atenção. Cara é condenado, sentença já transitou em julgado, ele tá cumprindo pena.

Aí uma lei nova apaga aquele crime do mapa. Tipo, ele deixa de existir. Ele continua preso ou sai?

Ai, calma. Deixa eu pensar rápido. Já transitou em julgado, virou coisa julgada.

Então, ele fica preso? Guarda esse chute. A gente volta nele no fim do episódio com o gabarito na mão.

Ah, não faz isso comigo logo na abertura. Faço, porque hoje a gente não vai só decorar nome de princípio. Vai aprender a rota que a Cebraspe usa pra te confundir entre um e outro.

Isso porque essa parte parece fácil, né? Todo mundo acha que sabe legalidade, sabe humanidade e erra igual na hora da prova. Exatamente por parecer fácil que ela pega.

Começa pelo básico. Ninguém pode ser punido por fato que a lei não definia como crime antes de ele acontecer. Nem levar pena que a lei não previa antes.

Isso é o princípio da legalidade. A trava mestra de tudo, né? Sem lei antes, não tem crime, não tem pena.

Isso. E pensa num cardápio de restaurante. Você só pode ser cobrado pelo prato que já estava escrito ali antes de você sentar à mesa.

Se o prato não estava no cardápio quando eu pedi, o restaurante não pode inventar a cobrança depois. Isso é legalidade. Agora, da legalidade, nasce outra exigência: a taxatividade.

O tipo penal precisa descrever a conduta proibida de um jeito claro, sem margem para o juiz inventar crime por analogia. Tipo uma receita de bolo mal escrita? Boa.

Se a receita fala só "coloque farinha suficiente", cada um interpreta de um jeito. Lei penal não pode ser assim. Então, legalidade é a regra maior e taxatividade é uma exigência de técnica dela?

Porque eu juraria que eram sinônimos. É exatamente aí que a banca aposta. Guarda essa.

Legalidade é o princípio. Taxatividade é o requisito de escrita que decorre dele. Anotado.

E o cardápio, continua valendo pra próxima parte? Vale, porque agora entra o detalhe que mais derruba candidato. A lei penal não retroage pra prejudicar o réu, mas retroage sempre que for pra beneficiar.

Voltando pro cardápio. Se tiraram o prato porque descobriram que fazia mal, até quem já pagou a conta fechada, tem direito ao dinheiro de volta. Repete essa parte para fixar.

Mesmo depois do trânsito em julgado, a lei mais benéfica retroage. Mesmo depois do trânsito em julgado, a lei mais benéfica retroage. Sério?

Sério. Retroage. Sempre.

Tá, agora eu já sei que meu chute lá do começo tava errado. Guarda ele, a gente confirma no fim. Deixa eu te fazer uma pergunta agora.

Por que o Direito Penal existe só pra alguns casos e não pra qualquer bagunça? Porque se não vira uma bagunça de gente presa por qualquer coisa? É isso, quase.

Chama a intervenção mínima. O penal só entra quando nenhum outro ramo do direito resolve. E dela nascem dois filhotes que a banca ama trocar.

Pera aí, como assim trocar? Eu juro que subsidiariedade e fragmentariedade sempre me pareceram a mesma coisa com nome diferente. Aí que mora a pegadinha clássica.

Subsidiariedade é sobre o quando. O penal age só se os outros ramos falharem. É a última ratio ou o último recurso.

E fragmentariedade? Fragmentariedade é sobre o quê? Só os bens jurídicos mais relevantes merecem proteção penal, não qualquer arranhão.

Ah, então uma é sobre o quando o penal entra em ação e a outra sobre o que ele protege. Faces do mesmo princípio, focos diferentes. Exatamente.

E olha só onde isso desemboca. Se a lesão ao bem jurídico é ínfima, mesmo encaixando formalmente no tipo penal, a gente exclui a tipicidade material. É o princípio da insignificância.

Aquele furto de um chocolate no mercado que sempre cai em prova. Esse mesmo. E presta atenção porque a banca adora esse detalhe.

Insignificância não está escrita expressamente em nenhuma lei. É construção da jurisprudência. Então, se a questão disser que é texto expresso do código, já era.

Já era, cai redondo. Agora vem outra dupla que fecha a base toda: culpabilidade e humanidade. Advogada do diabo aqui.

Para que precisa de culpabilidade se o cara já causou o resultado? O dano existiu, ponto. Porque sem dolo ou culpa, a gente estaria punindo só pelo resultado, sem nenhum nexo psicológico com a conduta.

Isso é responsabilidade penal objetiva, e ela é vedada. Então, mesmo que o carro tenha atropelado alguém, se não teve dolo nem culpa do motorista... Não tem crime.

É a diferença entre acidente de verdade e crime. Faz sentido. E a individualização da pena, entra onde nisso tudo?

A pena tem que ser ajustada às circunstâncias pessoais e à gravidade do fato de cada não existe pena padrão para todo mundo que cometeu o mesmo crime. Então, dois caras que roubaram o mesmo valor podem sair com penas bem diferentes? Podem e devem, se as circunstâncias forem diferentes.

E isso puxa direto para o princípio da humanidade. É vedada a pena de morte, salvo em guerra declarada, prisão perpétua, trabalhos forçados, banimento e qualquer pena cruel. Guerra declarada é a única brecha mesmo?

A única. E essa exceção é de status constitucional. Não pode ser ampliada por lei comum.

E fechando com proporcionalidade? Simples. Nem pena branda pra crime grave, nem pena pesada demais para conduta de pouca lesividade.

Equilíbrio entre gravidade e intensidade. Já quero ver o quadro. Manda.

Primeira: o princípio da legalidade permite a criação de crimes por meio de medida provisória, desde que urgente e relevante. Errado. Só lei e sentido estrito, formal, pode criar crime ou cominar pena.

Medida provisória é vedada em matéria penal incriminadora. Segunda: lei penal que abolir um crime, não se aplica a fatos já julgados com trânsito em julgado, em respeito à coisa julgada. Errado.

E essa é a mesma armadilha do nosso desafio lá do início. A lei penal mais benéfica retroage mesmo após o trânsito em julgado, cessando os efeitos penais da condenação. Então, o cara do meu chute...

Sai da cadeia? Sai. A abolição do crime, apaga a punição.

Não importa se já tinha a sentença fechada. Terceira, e essa eu adoro: o ordenamento brasileiro admite pena de morte em qualquer hipótese, desde que prevista em lei ordinária. Errado.

Só em guerra declarada. E essa exceção tem status constitucional. Lei ordinária não amplia isso.

Fechou o quadro redondinho. Cola os três pontos que ficam. Primeiro: legalidade é a trava mestra.

Ninguém é punido sem lei anterior, definindo o crime e a pena. Segundo: a lei penal benéfica retroage sempre, mesmo depois do trânsito em julgado. É o detalhe que resolve nosso desafio do começo.

Terceiro: subsidiariedade fala do quando o penal age. Fragmentariedade fala do que ele protege. Duas faces da mesma intervenção mínima.

E lembrando: o cardápio te ensinou tudo isso. Sem prato escrito antes, não tem cobrança. E se o prato sai por fazer mal, até quem já pagou, tem o dinheiro de volta.

Pegadinha final: a Cebraspe adora misturar taxatividade com legalidade como se fossem sinônimos e insinuar que a lei benéfica não alcançaria a sentença já transitada em julgado. Já sei a resposta certa agora. Legalidade é o princípio maior.

Taxatividade decorre dele e a lei benéfica retroage sempre. Agora você já sabe porque aquele chute de cinco segundos quase te derrubou.

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