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Domínio da ortografia oficial e coesão textual

Uma frase de prova parece impecável — até você perceber que trocou infligir por infringir e mudou o sentido inteiro.

Tópico do edital: Domínio da ortografia oficial · Domínio dos mecanismos de coesão textual

Aula 2 de 6 de Língua Portuguesa · áudio de 11:40 · narração Profa. Ana · leitura de 5 min

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Domínio da ortografia oficial e coesão textual

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O que cai na prova, direto ao ponto

  1. 01

    Parônimos como infligir/infringir, flagrante/fragrante e tráfico/tráfego têm grafias parecidas mas sentidos totalmente diferentes.

  2. 02

    Coesão é o laço visível do texto (pronome, conectivo); coerência é a lógica escondida — pronome ambíguo já quebra a coesão.

  3. 03

    Trocar 'porque' por 'portanto' inverte causa por conclusão; já 'embora' e 'apesar de' mantêm o mesmo sentido de concessão.

  4. 04

    A conjunção 'caso' sempre exige o verbo subsequente no modo subjuntivo.

Simulado relâmpago · estilo CEBRASPE

Você já domina isso? Julgue 5 itens antes de continuar.

Mesmo formato Certo/Errado da prova. Resposta e comentário na hora — sem esperar gabarito oficial.

  • Item 01

    Coesão e coerência são conceitos sinônimos, pois ambos se referem à unidade do texto.

    toque em C ou E

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    Gabarito: Errado

    Coesão é o laço explícito na superfície do texto; coerência é a lógica por trás dele. São coisas diferentes, mesmo que andem juntas.

    "Coesão é o laço explícito na superfície do texto, coerência é a lógica por trás."

  • Item 02

    A substituição de 'embora estivesse cansado' por 'apesar de estar cansado' altera o sentido da oração.

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    Gabarito: Errado

    As duas expressões têm o mesmo valor semântico de concessão; muda a estrutura sintática, mas o sentido permanece igual.

    "As duas expressam concessão com o mesmo valor semântico, só muda a estrutura sintática, o sentido continua igual."

  • Item 03

    O pronome em 'isto será explicado adiante' retoma algo já dito anteriormente no texto.

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    Gabarito: Errado

    Ali o 'isto' antecipa o que vem depois, é referência que aponta para frente, não para trás no texto.

    "Ali o 'isto' está antecipando o que vem depois, é referência que aponta para frente, não pra trás."

  • Item 04

    O verbo 'infligir' significa aplicar ou impor uma pena, enquanto 'infringir' significa desobedecer a uma norma — parônimos com sentidos distintos.

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    Gabarito: Certo

    A aula estabelece exatamente essa distinção: infligir é dar o castigo, infringir é quebrar a regra.

    "'Infligir' é aplicar, é impor um castigo, uma pena. 'Infringir' é transgredir, é desobedecer a uma norma."

  • Item 05

    A conjunção 'caso' exige o verbo subsequente no modo subjuntivo, como em 'caso o condutor não apresente a documentação'.

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    Gabarito: Certo

    O material confirma que 'caso' sempre exige subjuntivo; a forma 'não apresente' está correta, no indicativo seria erro.

    "caso' sempre exige subjuntivo. 'Caso o condutor não apresente a documentação"

Transcrição completa desta aula (leitura opcional)

Deixa eu te ler uma frase de prova, bem tranquila, parece até fácil: 'o condutor infligiu as normas de trânsito ao avançar o sinal'. Certo ou errado? Não vou te responder agora.

Guarda essa frase aí, porque a gente volta nela lá no fim do episódio. Sério? Fica me devendo?

Fico. Porque isso aqui é exatamente o tipo de coisa que derruba quem lê bem e escreve mal na hora da prova. Todo mundo acha que ortografia é só acento e vírgula.

E não é? Não quando o assunto é Cebraspe. A banca não pede regra decorada, ela pega um texto normal, troca uma palavra por outra parecida e pergunta se o sentido mudou.

Então hoje a missão é essa: separar os pares que ela mais ama trocar, e os conectivos que ela mais ama inverter. Isso. Pra você não cair de novo nessa pegadinha que acabei de te ler.

Bora. Começa pelo clássico da área policial: 'flagrante' e 'fragrante'. Imagina o boletim de ocorrência: 'o suspeito foi preso em flagrante'.

Com efe, do jeito que a gente fala mesmo. Isso. Só que 'fragrante', a outra palavra, é de fragrância, de cheiro bom.

Não são duas grafias da mesma coisa, são duas palavras diferentes. Ah, tipo perfume versus prisão. Exatamente esse contraste.

E o mesmo raciocínio vale pra 'tráfico' e 'tráfego': tráfico é o comércio ilegal, tráfego é o trânsito de veículos na pista. Isso eu confundo até falando. Todo mundo confunde.

Agora vem o par que mais derruba candidato de PRF: 'infligir' e 'infringir'. Peraí, repete? Porque é exatamente esse que eu não guardo.

Repito. 'Infligir' é aplicar, é impor um castigo, uma pena. 'Infringir' é transgredir, é desobedecer a uma norma. E como eu não erro mais isso? Fixa essa frase: o policial INFLIGIU a pena prevista, o motorista INFRINGIU a norma.

Infligir é dar o castigo. Infringir é quebrar a regra. Infligiu... infringiu.

Nossa, ficou nítido de um jeito que antes não ficava. Agora olha a frase que te li lá no início: 'o condutor infligiu as normas de trânsito'. Ah!

Não dá. Ele não tá aplicando castigo na norma, ele tá desobedecendo ela. Então o certo era 'infringiu'.

Exato. A frase tá errada. Trocou o parônimo e mudou o sentido inteiro.

Fechado esse aí. E falando em trocar uma palavra por outra parecida... isso também acontece lá na coesão do texto, né? Acontece, e é o segundo assunto de hoje.

O material trata coesão como os laços visíveis do texto: pronome, conectivo, a omissão de um termo que já ficou claro antes. E isso é diferente de coerência? Bem diferente.

Coerência é a lógica escondida, o sentido não contraditório. Você pode ter um texto cheio de pronome certinho no lugar e mesmo assim ser incoerente. Peraí, como assim?

Dá um exemplo que eu visualizo melhor. Imagina essa: 'o delegado informou ao agente que ele deveria assinar o termo'. Quem é 'ele'?

Hum... pode ser o delegado ou pode ser o agente. Não dá pra saber. Isso é ambiguidade referencial.

E pra Cebraspe, se o pronome pode apontar pra mais de um antecedente, a frase já nasceu com defeito de coesão. Ah, então todo item que disser que um pronome retoma 'inequivocamente' alguém já nasce meio suspeito, porque raramente é mesmo inequívoco. Isso mesmo.

Agora, os conectivos são outra fatia grande da prova. Essa eu já sofri. Ela troca 'porque' por 'portanto' e finge que não mudou nada. 'O motorista foi autuado porque ultrapassou o sinal' — aí é causa.

Se você troca por 'portanto', vira conclusão. A relação lógica se inverte. E o 'embora' com 'apesar de'?

Esses dois, ao contrário, mantêm o mesmo sentido de concessão. Muda a estrutura gramatical, um pede subjuntivo, o outro pede infinitivo, mas o sentido continua o mesmo. Então o pulo do gato é sempre perguntar: a relação lógica continua a mesma, ou virou outra coisa?

Exatamente esse é o passo a passo. E tem mais um detalhe que pega muita gente: 'caso' sempre exige subjuntivo. 'Caso o condutor não apresente a documentação'. Isso, com 'apresente'.

Se aparecer 'não apresenta', no indicativo, já é erro. Deixa eu testar você com uns itens que a banca já usou de verdade, bem no estilo dessas armadilhas que a gente acabou de ver. Manda.

Primeira: 'coesão e coerência são conceitos sinônimos, pois ambos se referem à unidade do texto'. Errado. Coesão é o laço explícito na superfície do texto, coerência é a lógica por trás.

São coisas diferentes, mesmo que andem juntas. Segunda: 'a substituição de embora estivesse cansado por apesar de estar cansado altera o sentido da oração'. Errado também.

As duas expressam concessão com o mesmo valor semântico, só muda a estrutura sintática, o sentido continua igual. E a última: 'o pronome em isto será explicado adiante retoma algo já dito no texto'. Errado.

Ali o 'isto' está antecipando o que vem depois, é referência que aponta para frente, não pra trás. Essa direção do pronome, pra frente ou pra trás, resume bem o duelo de hoje, hein. Resume mesmo.

Três pontos pra levar. Primeiro: parônimo não é variação de grafia, é palavra diferente, com sentido diferente. Segundo: coesão é o laço visível do texto, coerência é a lógica escondida, e ambiguidade de pronome já derruba a coesão.

Terceiro: antes de aceitar que um conectivo trocado 'manteve o sentido', confirma a relação lógica original, causa, oposição ou conclusão. E aquela frase lá do começo? 'O condutor infligiu as normas de trânsito'. Errada.

O certo era 'infringiu', porque ele desobedeceu a norma, não aplicou castigo nela. Agora você já sabe: infligiu é castigo, infringiu é desobediência. E desconfia sempre que a questão disser 'sem prejuízo do sentido' depois de trocar uma palavra ou um conectivo.

Confere a relação lógica antes de marcar.

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