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Sintaxe II - concordância, regência, crase e colocação pronominal

A frase pode estar impecável do início ao fim — um detalhe de regência ou crase reprova o item, como o pisca-alerta que não acende.

Tópico do edital: Sintaxe II — concordância, regência, crase e colocação pronominal

Aula 4 de 6 de Língua Portuguesa · áudio de 15:35 · narração Profa. Ana · leitura de 9 min

Português Peso no edital ★★★★☆ Transcrição completa

Aula narrada · 15:35 · Profa. Ana

Sintaxe II - concordância, regência, crase e colocação pronominal

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O que cai na prova, direto ao ponto

  1. 01

    'Haver' no sentido de existir é impessoal e fica sempre no singular: 'havia muitos candidatos', nunca 'haviam'.

  2. 02

    'Assistir' e 'visar' mudam de regência conforme o sentido: assistir ao julgamento (ver) exige 'a', assistir o ferido (socorrer) não exige.

  3. 03

    Teste do masculino para crase: se ao trocar por um substantivo masculino aparecer 'ao', há crase no feminino equivalente.

  4. 04

    Pronome átono não pode abrir período na norma culta escrita: o correto é 'disseram-me', nunca 'me disseram' no início da frase.

  5. 05

    Na metodologia Cebraspe, um único erro em qualquer ponto da frase torna o item inteiro errado, mesmo com o resto correto.

Simulado relâmpago · estilo CEBRASPE

Você já domina isso? Julgue 5 itens antes de continuar.

Mesmo formato Certo/Errado da prova. Resposta e comentário na hora — sem esperar gabarito oficial.

  • Item 01

    Haviam muitos candidatos inscritos no concurso da PRF, a frase está correta porque o sujeito está no plural.

    toque em C ou E

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    Gabarito: Errado

    Haver existencial é impessoal e fica sempre no singular: o correto é 'havia muitos candidatos'.

    "Haver existencial é impessoal e fica sempre no singular: Havia muitos candidatos."

  • Item 02

    O treinamento visa melhorar o desempenho dos policiais, a frase está correta de acordo com a norma culta.

    toque em C ou E

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    Gabarito: Errado

    Visar no sentido de almejar é verbo transitivo indireto e exige a preposição 'a': visa a melhorar, ou visa ao melhoramento.

    "Visar no sentido de almejar é VTI e exige a preposição a: visa a melhorar, ou visa ao melhoramento."

  • Item 03

    A expressão 'à mão', com crase, está correta porque 'mão' é substantivo feminino, revelando o artigo definido fundido com a preposição.

    toque em C ou E

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    Gabarito: Certo

    O teste do masculino confirma: ao substituir por equivalente masculino apareceria 'ao', o que indica o artigo escondido antes de substantivo feminino.

    "'mão' é substantivo feminino, então o artigo 'a' está escondido ali. Preposição mais artigo, os dois se fundem, vira crase."

  • Item 04

    Me disseram que a prova seria difícil, em início de período, a frase está incorreta na norma culta escrita.

    toque em C ou E

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    Gabarito: Certo

    Pronome átono não pode abrir período; o correto seria 'disseram-me que a prova seria difícil'.

    "Pronome átono não pode abrir período; o correto seria Disseramme que a prova seria difícil."

  • Item 05

    Em questões certo ou errado, basta um aspecto gramatical estar correto para que o item seja considerado certo.

    toque em C ou E

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    Gabarito: Errado

    Na metodologia Cebraspe, basta um erro em qualquer ponto para o item inteiro ser considerado errado, mesmo com o resto correto.

    "Na metodologia Cebraspe, basta um erro em qualquer ponto pra o item inteiro ser considerado ERRADO."

Transcrição completa desta aula (leitura opcional)

Imagina a cena: você chega pro plantão, vai fazer a vistoria da viatura antes de sair pra BR. Motor bom, pneu calibrado, cinto funcionando. Até aqui, carro perfeito.

Perfeito, só que o piscaalerta não acende. Um detalhezinho só. E a viatura reprova inteira na inspeção, mesmo com tudo o resto em ordem.

Peraí, mas isso é sobre carro ou sobre a prova de português? É sobre a prova. A frase da Cebraspe funciona exatamente assim: pode estar impecável do início ao fim, e um único item furado reprova o texto inteiro.

Então hoje a gente não vai só revisar regrinha solta, vai treinar o olho pra achar o piscaalerta que não acende. Isso. Concordância, regência, crase e colocação de pronome.

Quatro pontos de vistoria, e a banca sabe exatamente onde esconder o defeito. Bora começar pelo mais clássico então. Aquele que todo mundo erra sem nem perceber.

Vou te dar uma frase, e você me diz se passa na vistoria: 'Haviam muitos candidatos inscritos no concurso da PRF'. Soa certo pra mim. Muitos candidatos, plural, verbo no plural.

Combinou. Combinou errado. Esse 'haver' aí é existencial, no sentido de 'existir'.

E verbo existencial não tem sujeito, ele é impessoal. Como assim não tem sujeito? Se tem 'muitos candidatos' ali do lado... 'Muitos candidatos' é objeto direto desse haver, não sujeito.

Sem sujeito, verbo impessoal fica sempre na terceira pessoa do singular. Ah, então é por isso que fica igual quando tem um candidato ou mil candidatos. Não muda nunca.

Exato. O certo é: Havia muitos candidatos. Repete pra mim, porque essa eu quero gravar.

Havia muitos candidatos. Sério? A banca insiste tanto nisso assim?

Sistematicamente. HAVIA. Nunca HAVIAM.

Grava essa palavra sozinha na cabeça. HAVIA. HAVIA.

É o piscaalerta número um. Você vê 'haver' com sentido de existir, checa se não pluralizaram, e resolve a questão em três segundos. Boa.

Essa eu não erro mais. E repara que o mesmo raciocínio vale pra 'fazer' indicando tempo e pros fenômenos da natureza. 'Faz dois anos', 'chove muito'. Sempre no singular, sem sujeito.

E se o sujeito composto vier antes do verbo normal, tipo 'o policial e o agente chegaram'? Aí concorda plural mesmo, né? Aí sim, sujeito composto antes do verbo vai pro plural, sem discussão.

O detalhe é só quando o sujeito some, como no haver existencial. Boa, esse aí já era. Bora pro próximo?

Vamos de concordância nominal, rapidinho, porque a pegadinha aqui é sutil. 'A candidata estava meio nervosa e meia insegura antes da prova'. Isso parece certo. 'Meio' com o primeiro, 'meia' com o segundo, cada um concordando. Só que os dois 'meio' ali fazem a mesma função: modificam adjetivo.

E advérbio modificando adjetivo é sempre invariável. Então o segundo também devia ser 'meio insegura'? Mas 'meio' não concorda quando vira substantivo, tipo 'meia hora'?

Exatamente essa é a distinção. 'Meia hora' concorda porque ali 'meia' é numeral, adjetivo de substantivo. Mas antes de outro adjetivo, é advérbio e não flexiona. Então na frase da candidata, o correto seria meio nervosa e meio insegura, os dois invariáveis.

Isso. Outro item de vistoria: pergunta sempre se 'meio' está diante de adjetivo ou diante de substantivo. Anotado.

Bora pra regência agora, que é onde eu mais me perco. Vou fazer papel de advogado do diabo aqui: pra que eu preciso saber que 'assistir' pede preposição, se todo mundo fala 'assisti o jogo' e ninguém estranha? Verdade, ninguém fala 'assisti ao jogo' no dia a dia.

Por que a banca cobra isso então? Porque a norma culta formal, que é a cobrada na prova, exige. 'Assistir' no sentido de ver, presenciar, é VTI e pede a preposição a: 'assisti ao julgamento'. E se for no sentido de ajudar, socorrer?

Aí muda de figura. 'O médico assistiu o ferido', sem preposição, porque nesse sentido o verbo é VTD. Então o mesmo verbo troca de comportamento dependendo do sentido. Isso é osso.

É o tipo de coisa que decide questão. Mesmo padrão em 'visar'. No sentido de objetivar, é VTI com a: 'o treino visa ao sucesso'.

E no sentido de mirar ou dar visto? VTD, sem preposição: 'visou o documento'. Sério?

Assistir e visar mudam de transitivo direto pra indireto dependendo só do sentido? Sério. E a banca adora testar exatamente essa troca de sentido.

Deixa eu tentar sozinha: 'o treinamento visa melhorar o desempenho', sem o a. Isso tá certo ou errado? Errado.

Falta o a: 'visa a melhorar o desempenho', ou 'visa ao melhoramento'. Sem a preposição, a frase reprova na vistoria. Nossa, esse é o pesadelo de qualquer concurseiro, porque a frase parece tão natural sem o a.

Justamente por parecer natural que ela engana. E olha só, dá pra testar isso na prática: troca o complemento por um pronome. Se der 'o' ou 'a', é VTD; se der 'lhe', é VTI com a.

Ah, então é tipo um detector embutido. Eu falo o verbo com 'lhe' na cabeça e vejo se soa certo. Exatamente esse é o teste.

Guarda ele, porque funciona pra quase todo verbo de regência duvidosa. Beleza, chega de regência por hoje, quero ir pra crase, que é minha maior dor de cabeça. Crase tem um teste infalível: troca o termo feminino por um masculino equivalente.

Se aparecer 'ao', tem crase antes do feminino. Tipo 'fui à delegacia'... troco por masculino, 'fui ao posto', apareceu o 'ao', então confirma a crase. Isso, esse é o teste do masculino.

E ele resolve praticamente todo caso de crase que cai em prova. Então deixa eu te desafiar: 'a blitz foi realizada à pé, ao longo da rodovia'. Crase certa ou errada?

Errada. 'Pé' é substantivo masculino, não tem artigo feminino ali pra fundir com a preposição. Mas então por que 'à mão' tem crase e 'a pé' não? Os dois parecem a mesma estrutura.

Porque 'mão' é substantivo feminino, então o artigo 'a' está escondido ali. Preposição mais artigo, os dois se fundem, vira crase. Ah, então não é sobre o jeito que a expressão soa, é sobre o gênero da palavra que vem depois.

Isso mesmo. A pé, sem crase, substantivo masculino. À mão, com crase, substantivo feminino.

Grava esse par, porque ele é clássico de prova. E aquele outro clássico, 'referiuse à diversas ocorrências'? Isso tem crase?

Não. Antes de artigo indefinido a crase é proibida, e 'diversas' funciona nesse sentido indefinido, sem determinar o substantivo com artigo definido. Então outro teste seria trocar por 'uma'.

Se der certo trocar, não tem crase. Exato, o teste do uma. Junta com o teste do masculino e você resolve quase toda questão de crase da prova.

Boa. Último item da vistoria, então: colocação de pronome, que sempre me confunde na hora H. Regra de ouro: elemento atrativo antes do verbo puxa o pronome pra antes também.

Negação, conjunção, pronome relativo, tudo isso atrai. Me dá um exemplo de pegadinha nisso. 'Nunca disseramme a verdade sobre o ocorrido'. Certo ou errado?

Errado, porque 'nunca' é elemento atrativo, o pronome devia vir antes: 'nunca me disseram'. Exato, você já pegou o padrão. E tem uma armadilha ainda mais escondida: pronome não pode abrir frase.

Como assim não pode abrir frase? 'Me disseram que a prova seria difícil' parece super normal de falar. Normal de falar, mas na norma culta escrita é erro de colocação pronominal. Início absoluto de período exige pronome depois do verbo: 'disseramme'.

Então essa frase que parece tão inofensiva, no papel da Cebraspe, já reprova de cara. De cara. É o quarto item de vistoria, e é o que mais engana porque soa coloquialmente perfeito.

Vamos pro quadro então, quero testar se eu já enxergo o defeito sozinha. Manda a primeira. Eu leio: 'Haviam muitos candidatos inscritos no concurso da PRF', a frase está correta porque o sujeito está no plural.

Gabarito ERRADO. Haver existencial é impessoal e fica sempre no singular: Havia muitos candidatos. Segunda: 'O treinamento visa melhorar o desempenho dos policiais', a frase está correta de acordo com a norma culta.

Gabarito ERRADO. Visar no sentido de almejar é VTI e exige a preposição a: visa a melhorar, ou visa ao melhoramento. Terceira: 'A blitz foi realizada à pé, ao longo da rodovia', o emprego da crase está correto.

Gabarito ERRADO. A pé é locução com substantivo masculino, não existe artigo feminino ali pra fundir, então não há crase. Quarta, e essa eu já sei responder sozinha: 'Me disseram que a prova seria difícil', em início de período, a frase está incorreta na norma culta escrita.

Gabarito CERTO. Pronome átono não pode abrir período; o correto seria Disseramme que a prova seria difícil. E a última, que resume tudo: em questões certo ou errado, basta um aspecto gramatical estar correto pra o item ser considerado certo.

Gabarito ERRADO. Na metodologia Cebraspe, basta um erro em qualquer ponto pra o item inteiro ser considerado ERRADO. É a viatura reprovando por causa do piscaalerta de novo.

O resto do carro pode estar impecável, não importa. É exatamente essa a lição. Vamos fechar então com os pontos pra levar.

Ponto um: HAVIA, sempre no singular quando é existencial. Nunca haviam, mesmo com sujeito no plural aparente. Ponto dois: assistir a e visar a pedem a preposição quando o sentido é ver ou objetivar.

Sem o a, a frase fura a vistoria. Ponto três: teste do masculino pra crase. A pé sem crase, à mão com crase, porque o gênero do substantivo é que decide.

E o quarto ponto, de brinde: pronome átono nunca abre frase na norma culta escrita. Disseramme, nunca me disseram no início do período. A banca troca esses quatro pares sistematicamente.

Decorar eles já elimina boa parte das pegadinhas desse bloco. Então da próxima vez que você ler uma frase de prova parecendo perfeita... para e faz a vistoria completa antes de aprovar. Motor bom, pneu calibrado, cinto funcionando... e o piscaalerta, será que acende?

Se não acender, reprova. Não importa o resto.

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