🎧 Aulas do edital · Língua Portuguesa
Concordância, Regência, Crase e Colocação Pronominal
A frase pode estar impecável do início ao fim - um detalhe de regência ou crase reprova o item, como o pisca-alerta que não acende.
Tópico do edital: Sintaxe II — concordância, regência, crase e colocação pronominal
Aula narrada · 12:14 · Profa. Ana
Concordância, Regência, Crase e Colocação Pronominal
O que cai na prova, direto ao ponto
- 01
'Haver' no sentido de existir é impessoal e fica sempre no singular: 'havia muitos candidatos', nunca 'haviam'.
- 02
'Assistir' e 'visar' mudam de regência conforme o sentido: assistir ao julgamento (ver) exige 'a', assistir o ferido (socorrer) não exige.
- 03
Teste do masculino para crase: se ao trocar por um substantivo masculino aparecer 'ao', há crase no feminino equivalente.
- 04
Pronome átono não pode abrir período na norma culta escrita: o correto é 'disseram-me', nunca 'me disseram' no início da frase.
- 05
Na metodologia Cebraspe, um único erro em qualquer ponto da frase torna o item inteiro errado, mesmo com o resto correto.
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-
Item 01
Haviam muitos candidatos inscritos no concurso da PRF, a frase está correta porque o sujeito está no plural.
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Gabarito: Errado
Haver existencial é impessoal e fica sempre no singular: o correto é 'havia muitos candidatos'.
"Haver existencial é impessoal e fica sempre no singular: Havia muitos candidatos."
Haver existencial é impessoal e fica sempre no singular: o correto é 'havia muitos candidatos'.
"Haver existencial é impessoal e fica sempre no singular: Havia muitos candidatos."
-
Item 02
O treinamento visa melhorar o desempenho dos policiais, a frase está correta de acordo com a norma culta.
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Gabarito: Errado
Visar no sentido de almejar é verbo transitivo indireto e exige a preposição 'a': visa a melhorar, ou visa ao melhoramento.
"Visar no sentido de almejar é VTI e exige a preposição a: visa a melhorar, ou visa ao melhoramento."
Visar no sentido de almejar é verbo transitivo indireto e exige a preposição 'a': visa a melhorar, ou visa ao melhoramento.
"Visar no sentido de almejar é VTI e exige a preposição a: visa a melhorar, ou visa ao melhoramento."
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Item 03
A expressão 'à mão', com crase, está correta porque 'mão' é substantivo feminino, revelando o artigo definido fundido com a preposição.
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Gabarito: Certo
O teste do masculino confirma: ao substituir por equivalente masculino apareceria 'ao', o que indica o artigo escondido antes de substantivo feminino.
"'mão' é substantivo feminino, então o artigo 'a' está escondido ali. Preposição mais artigo, os dois se fundem, vira crase."
O teste do masculino confirma: ao substituir por equivalente masculino apareceria 'ao', o que indica o artigo escondido antes de substantivo feminino.
"'mão' é substantivo feminino, então o artigo 'a' está escondido ali. Preposição mais artigo, os dois se fundem, vira crase."
-
Item 04
Me disseram que a prova seria difícil, em início de período, a frase está incorreta na norma culta escrita.
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Gabarito: Certo
Pronome átono não pode abrir período; o correto seria 'disseram-me que a prova seria difícil'.
"Pronome átono não pode abrir período; o correto seria Disseramme que a prova seria difícil."
Pronome átono não pode abrir período; o correto seria 'disseram-me que a prova seria difícil'.
"Pronome átono não pode abrir período; o correto seria Disseramme que a prova seria difícil."
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Item 05
Em questões certo ou errado, basta um aspecto gramatical estar correto para que o item seja considerado certo.
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Gabarito: Errado
Na metodologia Cebraspe, basta um erro em qualquer ponto para o item inteiro ser considerado errado, mesmo com o resto correto.
"Na metodologia Cebraspe, basta um erro em qualquer ponto para o item inteiro ser considerado errado."
Na metodologia Cebraspe, basta um erro em qualquer ponto para o item inteiro ser considerado errado, mesmo com o resto correto.
"Na metodologia Cebraspe, basta um erro em qualquer ponto para o item inteiro ser considerado errado."
0/5
Você já domina esse ponto do edital. Hora de fixar de ouvido, no ritmo da prova.
Você pegou o padrão, mas ainda escapam detalhes que a banca cobra. Ouça a aula e feche essa lacuna agora.
É exatamente pra isso que esta aula existe. Ouça agora e volte pra zerar esse simulado.
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Imagina a cena: você chega pro plantão, vai fazer a vistoria da viatura antes de sair pra BR. Motor bom, pneu calibrado, cinto funcionando... Até aqui, carro perfeito.
Perfeito. Só que o pisca-alerta não acende. Um detalhezinho só.
E a viatura reprova inteira na inspeção, mesmo com tudo o resto em ordem. Peraí, mas isso é sobre carro ou sobre a prova de português? É sobre a prova.
A frase da Cebraspe funciona exatamente assim. Pode estar impecável do início ao fim, e um único item furado reprova o texto inteiro. Então hoje, a gente não vai só revisar regrinha solta, vai treinar o olho pra achar o pisca-alerta que não acende.
Isso. Concordância, regência, crase e colocação de pronome. Quatro pontos de vistoria e a banca sabe exatamente onde esconder o defeito.
Bora começar pelo mais clássico, então. Aquele que todo mundo erra sem nem perceber. Vou te dar uma frase e você me diz se passa na vistoria.
"Haviam muitos candidatos inscritos no concurso da PRF". Soa certo pra mim. Muitos candidatos, plural, verbo no plural.
Combinou. Combinou errado. Esse "haver" aí é existencial, no sentido de existir.
E verbo existencial não tem sujeito, ele é impessoal. Como assim, não tem sujeito? Se tem "muitos candidatos" ali do lado?
"Muitos candidatos" é objeto direto desse "haver", não sujeito. Sem sujeito, verbo impessoal fica sempre na terceira pessoa do singular. Ah, então é por isso que fica igual quando tem um candidato ou mil candidatos.
Não muda nunca. Exato. O certo é: havia muitos candidatos.
Repete pra mim, porque essa eu quero gravar. "Havia muitos candidatos." Sério? A banca insiste tanto nisso assim?
Sistematicamente. "Havia", nunca "haviam". Grava essa palavra sozinha na cabeça.
"Havia". "Havia". É o pisca-alerta número um.
Você vê "haver" com sentido de existir, checa se não pluralizaram e resolve a questão em três segundos. Boa, essa eu não erro mais. E repara que o mesmo raciocínio vale pra "fazer", indicando tempo e pros fenômenos da natureza.
"Faz dois anos", "chove muito". Sempre no singular, sem sujeito. E se o sujeito composto vier antes do verbo normal?
Tipo, "o policial e o agente chegaram". Aí concorda plural mesmo, né? Aí, sim.
Sujeito composto antes do verbo vai pro plural, sem discussão. O detalhe é só quando o sujeito some, como no haver existencial. Boa, esse aí já era.
Bora pro próximo? Vamos de concordância nominal, rapidinho, porque a pegadinha aqui é sutil. "A candidata estava meio nervosa e meia insegura antes da prova." Isso parece certo.
"Meio" com o primeiro, "meia" com o segundo, cada um concordando. Só que os dois "meio" ali fazem a mesma função: modificam adjetivo. E advérbio modificando adjetivo é sempre invariável.
Então o segundo também devia ser "meio insegura"? Mas "meio" não concorda quando vira substantivo, tipo "meia hora"? Exatamente essa é a distinção.
"Meia hora" concorda, porque ali, "meia" é numeral, adjetivo de substantivo. Mas antes de outro adjetivo, é advérbio e não flexiona. Então, na frase da candidata, o correto seria: "meio nervosa e meio insegura".
Os dois invariáveis. Isso. Outro item de vistoria.
Pergunta sempre se "meio" está diante de adjetivo ou diante de substantivo. Anotado. Bora pra regência agora, que é onde eu mais me perco.
Vou fazer papel de advogado do diabo aqui. Pra que eu preciso saber que "assistir" pede preposição, se todo mundo fala "assistiu o jogo" e ninguém estranha? Verdade.
Ninguém fala "assisti ao jogo" no dia a dia. Por que a banca cobra isso, então? Porque a norma culta formal, que é a cobrada na prova, exige.
"Assistir" no sentido de ver, presenciar, é VTI e pede a preposição "a": "assisti ao julgamento". E se for no sentido de ajudar, socorrer? Aí muda de figura.
"O médico assistiu o ferido", sem preposição, porque, nesse sentido, o verbo é VTD. Então, o mesmo verbo troca de comportamento dependendo do sentido. Isso é osso!
É o tipo de coisa que decide questão. Mesmo padrão em "visar". No sentido de objetivar, é VTI, com "a".
"O treino visa ao sucesso." E no sentido de mirar ou dar visto? VTD, sem preposição. "Visou o documento." Sério?
"Assistir" e "visar" mudam de transitivo direto pra indireto, dependendo só do sentido? Sério. E a banca adora testar exatamente essa troca de sentido.
Deixa eu tentar sozinha. "O treinamento visa melhorar o desempenho", sem o "a". Isso tá certo ou errado?
Errado. Falta o "a". "Visa a melhorar o desempenho" ou "visa ao melhoramento".
Sem a preposição, a frase reprova na vistoria. Nossa, esse é o pesadelo de qualquer concurseiro, porque a frase parece tão natural sem o "a". Justamente por parecer natural que ela engana.
E olha só, dá para testar isso na prática. Troca o complemento por um pronome. Se der "o" ou "a", é VTD.
Se der "lhe", é VTI com "a". Ah, então é tipo um detector embutido. Eu falo o verbo com "li" na cabeça e vejo se soa certo.
Exatamente, esse é o teste. Guarda ele, porque funciona pra quase todo verbo de regência duvidosa. Beleza, chega de regência por hoje.
Quero ir pra crase, que é minha maior dor de cabeça. Crase tem um teste infalível. Troca o termo feminino por um masculino equivalente.
Se aparecer "ao", tem crase antes do feminino. Tipo, "fui à delegacia". Troco por masculino, "fui ao posto".
Apareceu "ao"? Então confirma a crase. Isso, esse é o teste do masculino.
E ele resolve praticamente todo caso de crase que cai em prova. Então deixa eu te desafiar. "A blitz foi realizada a pé, ao longo da rodovia".
Crase certa ou errada? Errada. "Pé" é substantivo masculino.
Não tem artigo feminino ali pra fundir com a preposição. Mas então por que "à mão" tem crase e "a pé" não? Os dois parecem a mesma estrutura.
Porque "mão" é substantivo feminino. Então o artigo "a" está escondido ali. Preposição mais artigo.
Os dois se fundem, vira crase. Ah, então não é sobre o jeito que a expressão soa, é sobre o gênero da palavra que vem depois. Isso mesmo.
"A pé", sem crase, substantivo masculino. "À mão", com crase, substantivo feminino. Grava esse par porque ele é clássico de prova.
E aquele outro clássico, "referiu-se a diversas ocorrências". Isso tem crase? Não.
Antes de artigo indefinido, a crase é proibida, e "diversas" funciona nesse sentido indefinido, sem determinar o substantivo com artigo definido. Então outro teste seria trocar por "uma". Se der certo trocar, não tem crase.
Exato, o teste do "uma". Junta com o teste do masculino e você resolve quase toda questão de crase da prova. Boa.
Último item da vistoria, então. Colocação de pronome, que sempre me confunde na hora G. Regra de ouro: elemento atrativo antes do verbo puxa o pronome pra antes também.
Negação, conjunção, pronome relativo, tudo isso atrai. Me dá um exemplo de pegadinha nisso? "Nunca disseram-me a verdade sobre o ocorrido." Certo ou errado?
Errado, porque "nunca" é elemento atrativo. O pronome devia vir antes. "Nunca me disseram".
Exato, você já pegou o padrão. E tem uma armadilha ainda mais escondida. Pronome não pode abrir frase.
Como assim, não pode abrir frase? "Me disseram que a prova seria difícil" parece super normal de falar. Normal de falar, mas na norma culta escrita é erro de colocação pronominal.
Início absoluto de período exige pronome depois do verbo. "Disseram-me". Então essa frase que parece tão inofensiva, no papel da Cebraspe, já reprova de cara?
De cara. É o quarto item de vistoria, e é o que mais engana porque soa coloquialmente perfeito. Vamos pro quadro, então.
Quero testar se eu já enxergo o defeito sozinha. Manda a primeira. Eu leio.
"Haviam muitos candidatos inscritos no concurso da PRF. A frase está correta porque o sujeito está no plural." Gabarito errado. "Haver", existencial, é impessoal e fica sempre no singular.
"Havia muitos candidatos." Segunda: "O treinamento visa melhorar o desempenho dos policiais. A frase está correta de acordo com a norma culta." Gabarito errado. Visar, no sentido de almejar, é VTI e exige a preposição "a".
Visa a melhorar ou visa ao melhoramento. Terceira: "A blitz foi realizada a pé ao longo da rodovia. O emprego da crase está correto." Gabarito errado.
"A pé" é locução com substantivo masculino. Não existe artigo feminino ali para fundir, então não há crase. Quarta, e essa eu já sei responder sozinha: "Me disseram que a prova seria difícil".
Em início de período, a frase está incorreta na norma culta escrita. Gabarito certo. Pronome átono não pode abrir período.
O correto seria: "Disseram-me que a prova seria difícil". E a última, que resume tudo: em questões certo ou errado, basta um aspecto gramatical estar correto para o item ser considerado certo. Gabarito errado.
Na metodologia Cebraspe, basta um erro em qualquer ponto para o item inteiro ser considerado errado. É a viatura reprovando por causa do pisca-alerta de novo. O resto do carro pode estar impecável, não importa.
É exatamente essa a lição. Vamos fechar, então, com os pontos pra levar. Ponto um: "havia", sempre no singular quando é existencial.
Nunca "haviam", mesmo com sujeito no plural aparente. Ponto dois: "assistir a" e "visar a" pedem a preposição quando o sentido é ver ou objetivar. Sem o "a", a frase fura a vistoria.
Ponto três: teste do masculino pra crase. "A pé", sem crase. "À mão", com crase, porque o gênero do substantivo é que decide.
E o quarto ponto, de brinde, pronome átono nunca abre frase na norma culta escrita. "Disseram-me", nunca "me disseram" no início do período. A banca troca esses quatro pares sistematicamente.
Decorar eles já elimina boa parte das pegadinhas desse bloco. Então, da próxima vez que você ler uma frase de prova parecendo perfeita, para e faz a vistoria completa antes de aprovar. Motor bom, pneu calibrado, cinto funcionando...
E o pisca-alerta, será que acende? Se não acender, reprova. Não importa o resto.
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