🎧 Aulas do edital · Língua Portuguesa
Reescrita de frases e parágrafos do texto
Um relatório devolvido com a anotação 'sentido mudou' — e a única troca tinha sido um sinônimo de dicionário.
Tópico do edital: Reescrita de frases e parágrafos do texto
Aula narrada · 12:20 · Prof. Brito
Reescrita de frases e parágrafos do texto
O que cai na prova, direto ao ponto
- 01
Reescrita nunca testa regra isolada: a troca cosmética pode mexer em sentido, regência, concordância, coesão ou nível de formalidade.
- 02
Sinônimo de dicionário só serve se preservar o sentido exato naquele contexto — 'sutil' e 'discreta' não são intercambiáveis.
- 03
Ao trocar o verbo numa substituição, confira se a preposição que sobrou ainda combina com ele (presenciar não admite 'a').
- 04
Só é possível reduzir oração subordinada para infinitivo ou gerúndio se o sujeito for o mesmo da principal ou estiver explícito, sem ambiguidade.
- 05
Trocar conectivo de concessão ('embora') por causa ('como') ou condição ('caso') inverte a lógica da frase, mesmo mantendo a gramática correta.
Simulado relâmpago · estilo CEBRASPE
Você já domina isso? Julgue 5 itens antes de continuar.
Mesmo formato Certo/Errado da prova. Resposta e comentário na hora — sem esperar gabarito oficial.
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Item 01
Na frase 'a decisão foi sutil mas firme', substituir 'sutil' por 'discreta' preserva exatamente o sentido original, pois são sinônimos perfeitos.
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Gabarito: Errado
Sutil remete a refinamento e delicadeza na forma; discreta remete a falta de ostentação — são sentidos vizinhos, não idênticos, e a nuance se perde.
"Sutil remete a refinamento, a delicadeza na forma. Discreta remete a falta de ostentação. São vizinhos, não gêmeos — a nuance se perde."
Sutil remete a refinamento e delicadeza na forma; discreta remete a falta de ostentação — são sentidos vizinhos, não idênticos, e a nuance se perde.
"Sutil remete a refinamento, a delicadeza na forma. Discreta remete a falta de ostentação. São vizinhos, não gêmeos — a nuance se perde."
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Item 02
A substituição de 'o policial assistiu ao acidente' por 'o policial presenciou ao acidente' preserva a correção gramatical da frase.
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Gabarito: Errado
'Presenciar' é verbo transitivo direto e não admite a preposição 'a'; ao trocar o verbo, a preposição que sobrou deixou de combinar com ele.
"Presenciar é transitivo direto, não admite a preposição."
'Presenciar' é verbo transitivo direto e não admite a preposição 'a'; ao trocar o verbo, a preposição que sobrou deixou de combinar com ele.
"Presenciar é transitivo direto, não admite a preposição."
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Item 03
A reescrita de 'a equipe concluiu o relatório' para 'o relatório foi concluído pela equipe' está correta, com o sujeito da ativa virando agente da passiva.
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Gabarito: Certo
Na voz passiva analítica, o objeto direto vira sujeito paciente e o sujeito ativo vira agente introduzido por 'pela' — a transformação preserva o sentido.
"Sujeito ativo virou agente com pela, objeto virou sujeito, verbo na forma correta."
Na voz passiva analítica, o objeto direto vira sujeito paciente e o sujeito ativo vira agente introduzido por 'pela' — a transformação preserva o sentido.
"Sujeito ativo virou agente com pela, objeto virou sujeito, verbo na forma correta."
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Item 04
Reduzir 'quando terminou o plantão, o agente saiu' para 'ao terminar o plantão, o agente saiu' é uma reescrita correta, sem ambiguidade quanto ao sujeito.
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Gabarito: Certo
O sujeito da oração reduzida, 'o plantão', está explícito na própria construção, então não há ambiguidade sobre quem termina o quê.
"porque o sujeito da reduzida, o plantão, tá explícito dentro da própria construção"
O sujeito da oração reduzida, 'o plantão', está explícito na própria construção, então não há ambiguidade sobre quem termina o quê.
"porque o sujeito da reduzida, o plantão, tá explícito dentro da própria construção"
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Item 05
A troca do conectivo em 'embora chovesse, ele saiu' por 'como chovesse, ele saiu' preserva a relação lógica original da frase.
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Gabarito: Errado
'Embora' marca concessão (saiu apesar da chuva); 'como' marca causa (saiu por causa da chuva) — são relações lógicas opostas.
"Embora marca concessão: chovia, e mesmo assim ele saiu. Como marca causa: ele saiu porque chovia. São relações lógicas opostas."
'Embora' marca concessão (saiu apesar da chuva); 'como' marca causa (saiu por causa da chuva) — são relações lógicas opostas.
"Embora marca concessão: chovia, e mesmo assim ele saiu. Como marca causa: ele saiu porque chovia. São relações lógicas opostas."
0/5
Você já domina esse ponto do edital. Hora de fixar de ouvido, no ritmo da prova.
Você pegou o padrão, mas ainda escapam detalhes que a banca cobra. Ouça a aula e feche essa lacuna agora.
É exatamente pra isso que esta aula existe. Ouça agora e volte pra zerar esse simulado.
🎧 Continuar de ouvido →Transcrição completa desta aula (leitura opcional)
Eu preciso contar uma coisa que aconteceu comigo essa semana, no trabalho. Devolveram um relatório meu com uma anotação na margem: sentido mudou. Só isso?
Sem explicar o quê? Só isso. E eu jurava que tinha só trocado uma palavra por outra mais formal.
Um sinônimo. Sinônimo de dicionário. Deixa eu adivinhar.
Você trocou um verbo que muda de sentido dependendo da preposição. Não vou te contar ainda. Guarda essa dúvida aí, porque no fim do episódio eu conto exatamente o que eu escrevi.
Combinado. Porque essa história sua é, sem exagero, a prova de português inteira resumida num parágrafo. Como assim a prova inteira?
Reescrita não testa você decorar regra isolada. Testa se você percebe que uma troca cosmética pode mudar sentido, quebrar a lógica entre as orações ou violar a normapadrão. Ou seja, a banca pega uma frase, mexe em uma peça só, e pergunta se ainda é a mesma máquina.
Exatamente. E pra você não cair, eu penso nisso como perícia de documento. Você não compara a aparência da frase nova, você confere ponto por ponto.
Perícia. Gostei. Confere o quê, exatamente?
Sentido, regência e concordância, pra começar. Só isso? Mais coesão referencial e nível de formalidade.
Se qualquer um desses cinco pontos não bate, o documento é falso — o item é errado. Vamo por partes então. Começa pela semântica, que é onde eu acho que eu escorreguei.
Item seis ponto um, significação das palavras — daqui em diante, semântica. A banca trabalha em três camadas. Manda as três.
Primeiro, sinoNÍmia, palavras de sentido parecido: ela troca por uma palavra próxima, mas não idêntica. Segundo, polisSEmia, palavra com vários sentidos: usa a mesma palavra numa acepção diferente da original. E a terceira?
Conotação contra denotação. Troca uma expressão figurada por uma literal, ou o contrário. Mas peraí, sinônimo de dicionário devia servir, não devia?
Só se ele preservar o sentido exato NAQUELE contexto. Sinônimo perfeito no dicionário pode ser errado na frase. Dá um exemplo, porque isso ainda tá abstrato pra mim.
Olha esse do material: 'a decisão foi sutil mas firme'. Trocam sutil por discreta. Parece igual.
Os dois dão ideia de algo que não chama atenção. Parece, mas não é. Sutil remete a refinamento, a delicadeza na forma.
Discreta remete a falta de ostentação. São vizinhos, não gêmeos — a nuance se perde. Então o item que troca sutil por discreta e diz que manteve sentido e correção...
Errado. Sempre pergunte: essa palavra nova diz EXATAMENTE a mesma coisa aqui, ou só uma coisa parecida? Ok, essa é a semântica.
E a substituição, item seis ponto dois? Substituição de palavras ou de trechos de texto — daqui em diante, substituição. É a mesma perícia de sempre: sentido, regência e concordância primeiro.
E depois? Depois, coesão referencial e nível de formalidade. Cinco pontos, um documento só.
E o vilão da vez é a regência, né? Isso derruba muita gente. Derruba porque tem verbo que muda de regência conforme o sentido.
Assistir a, no sentido de ver, pede a preposição. Assistir, no sentido de ajudar, não pede. E se a banca trocar assistir por outro verbo mantendo o 'a'?
Olha esse: 'o policial assistiu ao acidente' virou 'o policial presenciou ao acidente'. Presenciar ao... isso não soa estranho pra você? Soa, e por bom motivo.
Presenciar é transitivo direto, não admite a preposição. A banca deixou o 'ao' que era de assistir, mas trocou o verbo — e a frase ficou capenga. Ah, então é isso: ela troca o verbo mas esquece de trocar a preposição, ou finge que esqueceu de propósito.
De propósito, sempre. Igual acontece com aspirar. Aspirar a um cargo, no sentido de almejar, pede a preposição.
E sem o 'a'? Vira aspirar no sentido de inalar. 'Aspirar um cargo público' tecnicamente quer dizer inalar um cargo. Muda o significado inteiro.
Inalar um cargo público. Fica registrado que eu ri antes de errar essa em prova. Registrado.
Mas guarda o protocolo: toda vez que a substituição troca o verbo, você confere se a preposição que sobrou ainda combina com ele. Beleza, isso é substituição. Agora fala da reorganização, porque essa parte de mudar a ordem da frase sempre me deixa insegura.
Item seis ponto três, reorganização da estrutura de orações e de períodos — reorganização sintática. Ela pode inverter voz ativa e passiva, deslocar adjunto adverbiAL, ou reduzir uma oração subordinada. Voz passiva primeiro, que essa eu acho que sei.
Na passiva anaLÍtica, a passiva com ser, o sujeito da ativa vira agente e recebe por, pelo ou pela. O objeto direto vira sujeito paciente. Tipo 'a equipe concluiu o relatório' virando 'o relatório foi concluído pela equipe'.
Isso, e essa troca tá certa. Sujeito ativo virou agente com pela, objeto virou sujeito, verbo na forma correta. Ironia boa essa, hein.
Um relatório concluído certinho enquanto o meu foi devolvido. Fica pra depois. Agora a parte que mais derruba gente boa: redução de oração com sujeito diferente.
Peraí, como assim sujeito diferente? Você só pode reduzir uma subordinada pra infinitivo, gerúndio ou particípio se o sujeito dela é o mesmo da principal. Se for diferente, vira ambíguo.
Me dá a cena, que eu aprendo melhor com cena. Imagina: 'depois que o suspeito fugiu, a viatura chegou'. Reduzir pra 'depois de fugir, a viatura chegou' é errado.
Porque agora parece que a viatura fugiu. Exatamente. O sujeito da reduzida some, e o leitor pendura a ação no sujeito mais próximo, que é a viatura.
Mas peraí, tem um exemplo no material que faz isso e a banca marca como certo. 'Quando terminou o plantão, o agente saiu' virando 'ao terminar o plantão, o agente saiu'. Ali funciona porque o sujeito da reduzida, o plantão, tá explícito dentro da própria construção — 'ao terminar o plantão' já deixa claro quem termina. Não sobra ambiguidade nenhuma.
Ah, então o problema não é ter sujeitos diferentes, é a redução deixar escondido qual é o sujeito de cada oração. Isso. Ambiguidade é o crime, não a diferença de sujeito em si.
E o adjunto deslocado, o tal do adjunto adverbiAL? Isso muda a vírgula? Pode mudar. 'Os agentes agiram rapidamente na ocorrência' virando 'na ocorrência, os agentes agiram rapidamente' exige vírgula depois de ocorrência.
Porque foi pra frente da frase. Adjunto no início do período pede vírgula separando da oração principal. A banca adora dizer que o deslocamento 'manteve sentido e correção' escondendo que a pontuação mudou de exigência.
Beleza. Falta o registro, o item seis ponto quatro. Reescrita de textos de diferentes gêneros e níveis de formalidade — adequação de registro.
Texto administrativo não aceita marca de oralidade, prefere terceira pessoa e voz passiva. Tipo trocar 'a gente foi até o local' por 'os policiais deslocaramse ao local'. Essa é certa.
Tira o 'a gente' coloquial, põe terceira pessoa, vocabulário técnico. Passa na perícia inteira. Ok, junta tudo isso e me diz: qual é a pegadinha que mais derruba gente na prova?
Conectivo. De longe. Trocar concessão por adversidade, ou causa por condição.
Explica a diferença entre concessão e adversidade, que essa eu sempre confundo. Concessão admite que existia uma circunstância contrária e mesmo assim o fato aconteceu — embora, ainda que, mesmo que. Adversidade só opõe dois fatos, sem admitir nada — mas, porém, contudo.
Tenta com o exemplo do material: 'embora chovesse, ele saiu' virando 'como chovesse, ele saiu'. Repete a frase original pra mim de novo, devagar. Embora chovesse, ele saiu.
Embora marca concessão: chovia, e mesmo assim ele saiu. Como marca causa: ele saiu porque chovia. São relações lógicas opostas.
Sério? A troca de uma palavrinha vira o motivo da saída dele de cabeça pra baixo? Sério.
Não é a mesma frase, é outra frase com outra lógica por dentro. E o item que diz que essa reescrita preserva o sentido original. Errado.
Sempre errado. Guarda essa: manter a correção gramatical e manter o sentido são coisas INDEPENDENTES. Uma reescrita só vale se preservar as duas ao mesmo tempo.
Vou fazer papel de advogada do diabo aqui: mas se as duas frases são gramaticalmente perfeitas, por que a banca se importa tanto com a lógica interna? Porque num boletim, num relatório, na descrição de uma ocorrência, a relação lógica é o fato jurídico. Trocar causa por condição pode transformar um fato consumado em hipótese.
Tipo o outro exemplo, 'visto que estava cansado, ele dormiu cedo' virando 'caso estivesse cansado, ele dormiu cedo'. Visto que é causa, fato real. Caso é condição, hipótese.
E repara: 'dormiu' no pretérito não combina com 'caso', que pede subjuntivo. Erra duas vezes na mesma frase. Então além da lógica trocada, ainda tem a estrutura verbal capenga.
Isso. Por isso existe um protocolo: primeiro você lê o original e acha a relação lógica, depois vê o que mudou na reescrita. E se passar dessas duas?
Testa sentido e gramática separado. Se qualquer parte falhar, o item já era — não precisa achar mais nada de errado. Beleza, eu acho que já sei o que aconteceu com o meu relatório.
Posso contar agora? Pode. Eu escrevi 'embora a equipe estivesse reduzida, o serviço foi concluído'.
E reescrevi pra deixar mais 'seco': 'como a equipe estava reduzida, o serviço foi concluído'. Aí tá. Você trocou concessão por causa sem perceber.
Ah, então na minha versão parece que o serviço foi concluído POR CAUSA da equipe reduzida, e não apesar dela. Exatamente isso. Seu chefe leu e pensou: ela tá dizendo que trabalhar com equipe curta é o motivo do sucesso, não um obstáculo superado.
Sentido mudou, igualzinho ao que ele escreveu. Caramba. Um mês pra passar na perícia do próprio chefe e eu nem sabia o nome do erro.
Agora sabe. E o nome vai te salvar numa questão certo ou errado. Bora fechar então.
Três pontos pra levar. Primeiro: reescrita nunca testa regra isolada, testa se a troca cosmética mexe em sentido, sintaxe, coesão ou registro ao mesmo tempo. Segundo: manter a correção e manter o sentido são critérios independentes.
Precisa dos dois pra passar na perícia. Terceiro: quando a banca troca conectivo, pergunte qual é a relação lógica original. Se a nova palavra expressa outra relação, o item cai.
E a pegadinha final é a mesma que me pegou na vida real: concessão virando adversidade ou causa, sem ninguém avisar. Da próxima vez que você for deixar uma frase mais 'seca', lembra: 'embora' e 'como' não são vizinhos, são adversários. Anotado.
Literalmente, dessa vez com o conectivo certo.
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