🎧 Aulas do edital · Língua Portuguesa
Correspondência oficial (Manual de Redação da Presidência)
Quantas autoridades no Brasil merecem ser chamadas de Excelentíssimo num documento oficial? Bem menos do que qualquer concurseiro chuta.
Tópico do edital: Correspondência oficial (conforme Manual de Redação da Presidência da República)
Aula narrada · 14:05 · Prof. Brito
Correspondência oficial (Manual de Redação da Presidência)
O que cai na prova, direto ao ponto
- 01
Desde a 3ª edição do Manual (2018), ofício, aviso e memorando foram unificados no padrão ofício; memorando autônomo não existe mais.
- 02
Os quatro atributos da redação oficial são clareza, precisão, concisão e formalidade — criatividade e originalidade não fazem parte da lista.
- 03
O fecho troca com a hierarquia: 'Respeitosamente' para superior, 'Atenciosamente' para mesma hierarquia ou inferior.
- 04
Vossa Excelência é restrito a chefes dos três Poderes, ministros, governadores, prefeitos, parlamentares, diplomatas e magistrados; delegado usa Vossa Senhoria.
- 05
'Excelentíssimo' é exclusivo do Presidente da República, do Congresso e do STF; a mensagem presidencial é o único expediente sem vocativo.
Simulado relâmpago · estilo CEBRASPE
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Mesmo formato Certo/Errado da prova. Resposta e comentário na hora — sem esperar gabarito oficial.
-
Item 01
O memorando é o expediente adequado para a comunicação entre unidades de um mesmo órgão, segundo o Manual de Redação da Presidência da República.
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Gabarito: Errado
A terceira edição do Manual extinguiu o memorando como documento autônomo; a comunicação interna hoje segue o padrão ofício.
"A terceira edição extinguiu o memorando; comunicação interna hoje é padrão ofício."
A terceira edição do Manual extinguiu o memorando como documento autônomo; a comunicação interna hoje segue o padrão ofício.
"A terceira edição extinguiu o memorando; comunicação interna hoje é padrão ofício."
-
Item 02
Após a terceira edição do Manual, o aviso, o ofício e o memorando passaram a seguir estruturas distintas, cada um com formatação própria.
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Gabarito: Errado
Os três expedientes foram unificados no padrão ofício, com estrutura única, desde a terceira edição de 2018.
"Foram unificados no padrão ofício, com estrutura única."
Os três expedientes foram unificados no padrão ofício, com estrutura única, desde a terceira edição de 2018.
"Foram unificados no padrão ofício, com estrutura única."
-
Item 03
O tratamento Vossa Excelência deve ser usado ao se dirigir a um delegado de polícia federal em exercício de suas funções ordinárias.
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Gabarito: Errado
Delegado não está no rol de autoridades tratadas por Vossa Excelência; o tratamento correto é Vossa Senhoria.
"Delegado não está no rol de Vossa Excelência; o correto é Vossa Senhoria."
Delegado não está no rol de autoridades tratadas por Vossa Excelência; o tratamento correto é Vossa Senhoria.
"Delegado não está no rol de Vossa Excelência; o correto é Vossa Senhoria."
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Item 04
A exposição de motivos é o expediente usado pelos ministros de Estado para se comunicar com o Presidente da República, podendo ser expedida por dois ou mais ministérios juntos.
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Gabarito: Certo
Quando assinada por mais de um ministro, a exposição de motivos vira interministerial, exatamente como prevê o Manual.
"Quando assinada por mais de um ministro, vira exposição de motivos interministerial, exatamente como prevê o Manual."
Quando assinada por mais de um ministro, a exposição de motivos vira interministerial, exatamente como prevê o Manual.
"Quando assinada por mais de um ministro, vira exposição de motivos interministerial, exatamente como prevê o Manual."
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Item 05
A mensagem presidencial, ao contrário dos demais expedientes oficiais, dispensa o uso de vocativo.
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Gabarito: Certo
A mensagem é o único expediente oficial tratado na aula que não tem vocativo previsto no Manual.
"É a única exceção entre os expedientes que a gente tratou hoje."
A mensagem é o único expediente oficial tratado na aula que não tem vocativo previsto no Manual.
"É a única exceção entre os expedientes que a gente tratou hoje."
0/5
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Ana, chuta rápido, cinco segundos no relógio: no Brasil, quantas autoridades a gente pode chamar de Excelentíssimo num documento oficial? Excelentíssimo? Ué, isso não é pra qualquer Vossa Excelência?
Chuto... uns dez, quinze. Guarda esse chute. É bem menos que isso, e a gente só confirma lá no fim do episódio.
Ah, não faz isso comigo logo de cara. Hoje o assunto é o Manual de Redação da Presidência da República, o MRPR. Ofício, memorando, fecho, vocativo — tudo que a Cebraspe ama trocar numa questão pra te derrubar.
Isso é aquele manual que ninguém lê até cair na prova e descobrir que memorando não existe mais? Exatamente esse. O MRPR é o documento de referência que padroniza a comunicação oficial no âmbito do Poder Executivo Federal.
A edição cobrada é a terceira, de dois mil e dezoito. E por que a data importa tanto? Porque essa edição vigente do Manual mudou coisa importante.
A Cebraspe trata o Manual como se fosse lei: o que ele diz é certo, o que contradiz ele é errado, mesmo que pareça razoável na vida real. Então nem adianta eu argumentar 'mas no meu trabalho a gente faz assim'? Não adianta nada.
Se contradiz o Manual, tá errado na prova. Ponto final. Beleza, e o que esse Manual exige da redação em si?
Quatro atributos fundamentais: clareza, precisão, concisão e formalidade. Só esses quatro. Só isso?
Achei que ia ter uns dez. E é aí que a banca brinca. Ela adora colar 'criatividade', 'elegância estilística' ou 'originalidade' na lista, como se fossem atributos oficiais.
Nenhum desses três entra no conjunto. Pera aí, então se a questão disser que a redação oficial prima pela originalidade pra ficar mais atraente... Está errada.
O objetivo da linguagem oficial não é impressionar, é comunicar com exatidão. Boa. Essa eu não erro mais.
Agora imagina a cena: você tá redigindo um ofício da delegacia e resolve escrever 'lamentavelmente, este servidor discorda da decisão superior'. Isso ia direto pro lixo. Ia, porque fere a impessoalidade.
O agente público escreve em nome do órgão, não em nome próprio. Nada de 'eu acho', nada de sentimento pessoal, nada de elogio pro destinatário pra puxar simpatia. Então o documento fala pela instituição, não pela pessoa que assina.
Isso. E o destinatário também não ganha tratamento diferente por quem ele é — a comunicação serve ao interesse público, não à relação pessoal. Tá, entendi a alma do negócio.
Mas e a estrutura física do documento, isso muda muito de um pra outro? Aqui que entra a virada mais cobrada do edital inteiro. Pensa no padrão ofício como a farda oficial da comunicação: um modelo único de fardamento pra todo mundo.
Continua. Antes da terceira edição, existiam três fardas diferentes: ofício, aviso e memorando, cada um com estrutura própria. A partir de dois mil e dezoito, o Manual jogou os três dentro de uma farda só.
Peraí, então o memorando simplesmente... acabou? Como documento autônomo, acabou. A comunicação interna, entre unidades do mesmo órgão, hoje segue o padrão ofício, igual à comunicação externa.
Ah, então é por isso que trocar 'estruturas distintas' numa questão sobre os três expedientes já mata a afirmativa de cara. Exato. Muda o crachá, não a farda: muda quem recebe e o teor da mensagem, não o formato.
E o que tem dentro dessa farda? Quais peças? Nove elementos, na ordem: cabeçalho, identificação do expediente, local e data por extenso, endereçamento, assunto, vocativo, texto, fecho e identificação do signatário.
Pera, repete a identificação do expediente, quero fixar o formato. Ofício número cento e vinte e três, barra dois mil e vinte e quatro, barra DG, barra PRF. Numeração sequencial dentro do ano, reiniciando a cada ano novo.
E o campo assunto? Vi um material dizendo que documento sigiloso não precisa desse campo. Detalhe pra conferir na letra da lei sobre sigilo, mas no padrão ofício o assunto é elemento obrigatório da estrutura, síntese em até uma linha.
Ele não some por causa de sigilo. Anotado. Agora, o crachá que muda: o fecho.
Isso aqui eu confundo direto. O Manual admite só dois. Respeitosamente, quando o destinatário é hierarquicamente superior ao signatário.
Atenciosamente, quando é da mesma hierarquia ou inferior. E cordialmente, saudações, abraços? Fora.
Não existem em correspondência oficial. E a vírgula depois do fecho é obrigatória — 'Respeitosamente,' com vírgula, sempre. Advogada do diabo aqui: por que isso importa tanto?
É só uma vírgula e uma palavra de despedida. Importa porque a banca monta a pegadinha exatamente nessa troca: manda ofício ao Presidente da República com 'Atenciosamente', dizendo que é o fecho mais formal. Você marca certo achando bonito, e já era a questão.
Porque pra superior é Respeitosamente, não Atenciosamente. Isso. Inverteu a hierarquia, inverteu o gabarito.
Beleza, e o crachá do endereçamento, o tal do pronome de tratamento? Isso aí é um parto pra decorar. Regra de concordância indireta, sempre na terceira pessoa, mesmo parecendo que você fala direto com a pessoa.
Vossa Excelência, abreviatura de Vossa Excelência, é pra chefes dos três Poderes, ministros de Estado, governadores, prefeitos, parlamentares, diplomatas e magistrados. E o resto do mundo? Vossa Senhoria, abreviatura de Vossa Senhoria, pra demais autoridades e particulares.
Pera, um delegado de polícia federal entra em qual grupo? Ótima pergunta, porque é armadilha clássica de prova. Delegado não está no rol de Vossa Excelência.
É Vossa Senhoria. Nossa, essa eu marcaria errado sem pensar duas vezes. E tem outra pegada, com verbo: se você usa abreviatura de Vossa Excelência, o verbo vai na terceira pessoa.
Abreviatura de Vossa Excelência decidiu, nunca abreviatura de Vossa Excelência decidistes. Ah, então mesmo parecendo que eu falo com a pessoa, gramaticalmente eu tô falando dela, na terceira. Exato.
É por isso que soa estranho de ouvido, mas é a forma certa — e a banca explora bastante esse verbo errado no meio da frase. E o vocativo dentro do texto, isso muda pra cada autoridade? Aqui é o ponto mais decisivo do episódio inteiro.
No envelope ou cabeçalho, o endereçamento sempre por extenso: A Sua Excelência o Senhor. Mas no corpo do texto, o vocativo varia. Varia como?
Pra maioria das autoridades tratadas por Vossa Excelência, o vocativo é só Senhor mais o cargo. Senhor Ministro, Senhora Governadora. E o Excelentíssimo, aquele que eu chutei lá no começo?
Esse é reservado. Exclusivo pras três autoridades máximas dos Poderes: Presidente da República, Presidente do Congresso Nacional e Presidente do Supremo Tribunal Federal. Sério?
Só essas três? Só três. Três?
Três. Nem ministro, nem governador, nem parlamentar entra nesse grupo. Pra eles é Senhor mais o cargo, sem Excelentíssimo.
Então meu chute de dez, quinze foi um massacre. Foi. E tem mais um detalhe: Vossa Magnificência é restrito a reitor de universidade, nem entra nessa conta.
E quando é o próprio ministro que escreve pro Presidente, isso tem nome específico? Tem, é a exposição de motivos, a EM. Expediente pelo qual ministros de Estado se comunicam com o Presidente da República pra submeter projeto de lei, propor medida ou informar sobre assunto da própria pasta.
E se for mais de um ministério assinando junto? Aí vira exposição de motivos interministerial. Tem numeração própria e não segue exatamente o padrão ofício, embora compartilhe vários elementos estruturais dele.
E pra falar com o Congresso, o Presidente usa o quê? Ofício também? Não, aí é outro expediente: a mensagem.
É como o Presidente da República se comunica com o Congresso Nacional — encaminhamento de projeto de lei, veto, prestação de contas. E essa mensagem tem vocativo, tipo Excelentíssimos Senhores Congressistas? Não tem vocativo nenhum.
É o único expediente oficial sem vocativo previsto no Manual. Ah, então é por isso que ela é tão fácil de reconhecer numa questão: some o vocativo, é ela. Exato, e não confunde com ofício: o ofício o Presidente manda pra qualquer autoridade, a mensagem é só pra relação entre Executivo e Legislativo.
Última coisa antes do quadro: e a linguagem em si, pode ser bem rebuscada, cheia de palavra difícil, pra parecer mais séria? Não. O Manual rejeita tanto o coloquialismo quanto o preciosismo, que é usar palavra rara só pra parecer erudito.
Os dois extremos ferem a clareza. E voz passiva, voz ativa, isso tem regra? Não tem privilégio de uma sobre a outra.
O que o Manual exige é que a escolha sirva à clareza, seja qual for a construção. Beleza, chega de teoria. Bora pro quadro, quero testar.
Manda a primeira. O memorando é o expediente adequado para a comunicação entre unidades de um mesmo órgão, segundo o Manual. Errado.
A terceira edição extinguiu o memorando; comunicação interna hoje é padrão ofício. A redação oficial prima pela originalidade e criatividade na construção do texto, pra tornar a comunicação mais atraente. Errado.
Os atributos são clareza, precisão, concisão e formalidade. Criatividade não entra. É aceitável que o signatário use a primeira pessoa do singular pra expressar opinião pessoal sobre o mérito do assunto.
Errado. Fere a impessoalidade: o agente fala em nome do órgão, não em nome próprio. Após a terceira edição, o aviso, o ofício e o memorando passaram a seguir estruturas distintas, cada um com formatação própria.
Errado. Foram unificados no padrão ofício, com estrutura única. Essa é sacana, hein — parece óbvia e derruba metade da turma.
Ao encaminhar ofício ao Presidente da República, o servidor deve usar o fecho Atenciosamente, por ser o mais formal dos previstos. Errado. Pra autoridade superior o fecho correto é Respeitosamente, não Atenciosamente.
O tratamento Vossa Excelência deve ser usado ao se dirigir a um delegado de polícia federal em exercício de suas funções ordinárias. Errado. Delegado não está no rol de Vossa Excelência; o correto é Vossa Senhoria.
A exposição de motivos é o expediente usado pelos ministros de Estado pra se comunicar com o Presidente, podendo ser expedida por dois ou mais ministérios juntos. Certo. Quando assinada por mais de um ministro, vira exposição de motivos interministerial, exatamente como prevê o Manual.
A mensagem presidencial, ao contrário dos demais expedientes oficiais, dispensa o uso de vocativo. Certo. É a única exceção entre os expedientes que a gente tratou hoje.
O uso de linguagem rebuscada e de termos eruditos pouco conhecidos é recomendado pelo Manual como forma de dar prestígio ao documento. Errado. O preciosismo fere a clareza tanto quanto o coloquialismo.
O Manual rejeita os dois extremos. Só derrapei numa, lá do começo, com o chute do Excelentíssimo. Já é um baita placar pra um tema que a galera acha chato e não estuda direito.
Bora fechar, então. Três pontos pra levar? Primeiro: o Manual unificou ofício, aviso e memorando numa farda só, o padrão ofício, desde dois mil e dezoito.
Memorando autônomo não existe mais. Segundo: os atributos da redação oficial são só quatro — clareza, precisão, concisão e formalidade. Criatividade e originalidade são armadilha, não fato.
Terceiro: no crachá dessa farda, o fecho troca com a hierarquia, Vossa Excelência não é pra qualquer autoridade, e Excelentíssimo é exclusivo de três nomes só. E voltando ao meu chute lá do início... Presidente da República, Presidente do Congresso Nacional e Presidente do Supremo Tribunal Federal.
Só esses três ganham Excelentíssimo. Um décimo do que eu chutei. E é exatamente aí que a Cebraspe te pega: generalizou Excelentíssimo pra ministro, governador ou parlamentar tratado por Vossa Excelência, já era.
A questão tá errada. Então da próxima vez que eu ler Excelentíssimo Senhor Ministro numa questão... Você já sabe: marca errado sem dó.
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